terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A formação étnica no período colonial brasileiro

Gilberto Freyre descreve com uma infinita riqueza de pormenores alguns aspectos da vida colonial. Sua preocupação básica é com o sexo e a miscigenação, mas ele trata também da vida familiar, da alimentação, da educação, das crenças relacionadas à educação das crianças, e de uma infinidade de outros temas, do indígena, do africano e do português.
Ele aborda o papel dos indígenas na formação social brasileira e permite caracterizar a miscigenação na sociedade brasileira, seja essa miscigenação ética, religiosa, política ou econômica. Porém, no caso do indígena, houve uma “intoxicação sexual”, já que a forma de agir do indígena tornava-se um grande estimulo sexual para o português. Com isso observa-se um grande contato de miscigenação entre o europeu e o indígena, caracterizando também uma fusão de culturas. Mesmo tendo a cultura do europeu se sobrepondo ao indígena, observam-se uma adaptação de assimilação de cultura de ambas as partes.
As mulheres índias foram muito úteis como procriadoras caboclas. Oferecidas para o colonizador português, supriram o grande problema da colonização: a falta de mulheres brancas. Assim, a mulher índia será à base da família brasileira. Freyre examina com grande inteligência e riqueza de informações o papel do escravo na vida sexual e de família dos brasileiros. A miscigenação continua central, uma tese interessante é a do caráter de seleção eugênica tomada por ela: os senhores escolhiam as escravas mais sadias e mais bonitas para cruzarem. Os padres, exceto os jesuítas, também procriaram à vontade, produzindo muitas vezes uma elite mulata: observa-se que a interação cultural entre o português e o negro faz surgir à concatenação de ambos os povos.

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